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Mercado

Copom abril: preview da decisão de juros de 28 e 29 de abril

Mercado se divide entre corte de 0,50 ou 0,25 pp na Selic. Juro atual é 14,75%. IPCA em 4,71%, acima do teto da meta. Veja o que esperar da reunião de abril.

Escrito por Sidnei Oliveira

Copom abril: preview da decisão de juros de 28 e 29 de abril

A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 28 e 29 de abril de 2026 é um dos eventos mais aguardados do calendário econômico brasileiro no segundo trimestre. Com a Selic atualmente em 14,75% ao ano — depois do corte de 0,25 ponto percentual na reunião de março — o mercado está dividido sobre o tamanho do próximo movimento.

A decisão importa para praticamente todos os ativos financeiros do Brasil: renda fixa, bolsa, câmbio e fundos imobiliários serão diretamente impactados pela sinalização do Banco Central.

O que a última reunião deixou como herança

Na reunião de 18 de março de 2026, o Copom cortou a Selic de 15,00% para 14,75% — uma redução de 0,25 ponto percentual, em linha com o que a maioria do mercado esperava. A nota do comunicado foi considerada cautelosa, com os diretores sinalizando que o ritmo de cortes dependerá da evolução dos dados de inflação e da volatilidade no cenário externo.

O próprio diretores do Banco Central reconheceram que a cautela "tem pagado dividendos" — uma referência ao fato de que a política monetária mais austera tem ajudado a ancorar as expectativas de inflação e contribuído para a apreciação do real.

Onde está a inflação

O IPCA acumulado em 12 meses está em 4,71% — acima do teto da meta de inflação de 4,5% para 2026. Esse número é um dos principais argumentos contra um corte mais agressivo de 0,50 pp na reunião de abril.

A decomposição do IPCA mostra que a pressão vem principalmente de serviços (persistentes) e de alguns itens de alimentação no domicílio. O componente industrial, por sua vez, tem mostrado algum alívio com a apreciação cambial — o real mais forte barateia importações e reduz pressão de custos para a indústria.

IndicadorValor
Selic atual14,75% a.a.
Corte na última reunião (mar/2026)-0,25 pp
IPCA 12 meses4,71%
Meta de inflação 2026 (teto)4,50%
Selic projetada no Focus (fim de 2026)12,50%

O que o mercado precifica

O relatório Focus do Banco Central, que consolida as expectativas de analistas de mercado, aponta para uma Selic de 12,50% no fim de 2026. Para chegar a esse nível, saindo do atual 14,75%, o BC precisaria cortar um total de 2,25 pontos percentuais ao longo das próximas reuniões.

O debate atual no mercado se divide em dois campos:

Campo A: corte de 0,50 pp em abril O argumento é que, com o real apreciado, a inflação importada está cedendo, a atividade econômica ainda não mostra sinais de aquecimento excessivo, e o diferencial de juros com os EUA (Selic 14,75% vs Fed Funds ~5,5%) continua alto o suficiente para manter o carry trade atrativo. Um corte maior agora evitaria a necessidade de manter juros elevados por mais tempo.

Campo B: corte de 0,25 pp em abril O argumento é que o IPCA acima do teto da meta não permite acelerar o ritmo. A volatilidade do petróleo Brent — que ainda oscila próxima de US$ 97 por barril após ter tocado US$ 112 em março — cria incerteza sobre o componente de combustíveis e energia da inflação. Um BC cauteloso preferiria manter o ritmo gradual.

A mediana das expectativas do mercado passou, ao longo de março, de 0,50 pp para 0,25 pp, sugerindo que a maior parte dos analistas acredita em uma cautela maior do BC em abril.

O papel da volatilidade do Brent

Um fator que complica especialmente a decisão de abril é a volatilidade do petróleo. O Brent saiu de um pico de US$ 112/barril em março para próximo de US$ 97 em meados de abril — uma queda significativa impulsionada pelas expectativas de cessar-fogo no Oriente Médio.

Isso é, em tese, positivo para a inflação brasileira: petróleo mais barato tende a reduzir preços de combustíveis, o que tem efeito desinflacionário direto (gasolina e diesel afetam o IPCA diretamente) e indireto (redução de custos de transporte e logística).

Mas o BC não pode presumir que a queda do petróleo é permanente. Se as negociações de paz fracassarem, o barril pode voltar a subir rapidamente. Trabalhar com uma commodity tão volátil exige humildade nas projeções.

Impacto nos investimentos

AtivoCenário: corte de 0,50 ppCenário: corte de 0,25 pp
Tesouro IPCA+Valorização da marcaçãoNeutro/leve valorização
Tesouro PrefixadoValorizaçãoNeutro
FIIsPositivo (custo de oportunidade menor)Neutro
Ações (Ibovespa)PositivoNeutro a positivo
Real (câmbio)Leve depreciaçãoEstável
CDBs e LCIs pós-fixadosRendimento menorEstável

O que acompanhar antes da reunião

Nos próximos dias até 28 de abril, os dados relevantes a monitorar incluem:

  • IPCA-15 de abril: prévia da inflação mensal — um dado aquém das expectativas pode reabrir espaço para 0,50 pp
  • Dados de atividade econômica (IBC-Br): indicador mensal do BC que funciona como proxy do PIB
  • Declarações de diretores do BC: qualquer sinalização explícita antes do período de silêncio
  • Petróleo Brent: continuidade ou reversão da queda é um fator chave

A reunião de 29 de abril divulgará a decisão ao fim do dia — e a ata, com a justificativa detalhada, será publicada na semana seguinte.


Na Royal Binary, fundada por Sidnei Oliveira, o monitoramento do ciclo de juros faz parte da análise cotidiana do time — em mais de 340 operações mensais, com estratégias adaptadas ao ambiente de taxas. Conheça a plataforma.