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Mercado

Nubank: De Fintech a Segundo Maior Banco do Brasil

Com 112 milhões de clientes e ROE histórico de 33%, o Nubank ultrapassou o Bradesco e se tornou a segunda maior instituição financeira do Brasil. O que essa ascensão significa para o mercado e para o investidor.

Escrito por Sidnei Oliveira

Nubank: De Fintech a Segundo Maior Banco do Brasil

Em janeiro de 2026, o Nubank anunciou algo que seria impensável uma década atrás: a fintech fundada em 2013 havia ultrapassado o Bradesco e se tornado a segunda maior instituição financeira do Brasil em número de clientes, com 112 milhões de correntistas. O número equivale a 61% da população adulta brasileira.

A marca não é apenas estatística. Ela representa uma mudança estrutural no sistema financeiro do país — e tem implicações concretas para quem investe, para quem usa serviços financeiros e para o mercado como um todo.

Os números por trás da ascensão

Os resultados do quarto trimestre de 2025 deixaram pouca dúvida sobre a solidez do crescimento. A receita chegou a US$ 4,86 bilhões, alta de 45% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro líquido foi de US$ 783 milhões. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) atingiu 33%, o maior da história da empresa.

O indicador que talvez melhor resuma a maturação do modelo de negócio é o ARPAC — receita média por cliente ativo. Ele subiu para US$ 15, um crescimento de 45% ano a ano. Isso significa que o Nubank não está apenas adicionando clientes: está extraindo mais valor de cada relação existente.

Para efeito de comparação, bancos tradicionais como Bradesco e Itaú costumavam se orgulhar da profundidade de relacionamento como diferencial competitivo. A narrativa era que clientes de bancos digitais eram superficiais — abriam a conta pelo cartão sem anuidade, mas mantinham o banco tradicional como principal. Os números de 2025 colocam essa narrativa em xeque.

O que significa entrar para a Febraban

Em março de 2026, o Nubank foi aprovado por unanimidade como membro da Febraban — a Federação Brasileira de Bancos, principal associação do setor financeiro do país. A adesão é simbólica e estratégica ao mesmo tempo.

Por anos, a relação entre fintechs e bancos tradicionais foi marcada pela tensão. O Nubank chegou a protagonizar embates públicos com a Febraban sobre temas como taxas de juros e tributação. Ingressar na associação como membro pleno representa uma mudança de postura: o Nubank deixa de operar como disruptor externo e passa a influenciar o setor de dentro.

A entrada na Febraban também está associada à busca por uma licença bancária plena, o que permitiria ao Nubank ampliar ainda mais a oferta de crédito e produtos financeiros regulamentados. A empresa afirma não ter planos de se tornar um banco tradicional, mas os movimentos apontam em uma direção cada vez mais institucional.

Inteligência artificial como diferencial operacional

Parte do crescimento de margem registrado no quarto trimestre de 2025 está diretamente ligada ao uso de inteligência artificial na análise de crédito. Um modelo proprietário de IA passou a ser aplicado na concessão e precificação de crédito, permitindo ao Nubank reduzir inadimplência ao mesmo tempo em que expande a carteira.

Esse ponto é relevante porque resolve uma das principais críticas históricas ao modelo: a de que crescimento acelerado e saúde da carteira de crédito seriam incompatíveis. O Nubank demonstrou em 2025 que é possível crescer com qualidade — e que tecnologia é o mecanismo central desse equilíbrio.

O banco também avançou em dois novos segmentos: pessoa jurídica (PJ), oferecendo conta e serviços para pequenas e médias empresas, e o segmento de alta renda, historicamente dominado por Itaú Private e BTG. Esses são mercados com ticket médio significativamente superior à base original de clientes, o que sustenta o crescimento do ARPAC.

A ação: oportunidade ou armadilha?

O desempenho operacional do Nubank em 2025 foi robusto. O desempenho da ação (ROXO34 na B3, NU na NYSE), no entanto, ficou abaixo do setor bancário em 2026 — ao menos até abril.

Analistas interpretam essa divergência de formas distintas. O BTG projeta lucro de US$ 4 bilhões para o Nubank em 2026, o que representaria mais que o dobro do resultado de 2025. O BB Investimentos estima potencial de valorização de 20% no ano para as ações, classificando o momento como uma "janela rara de entrada".

O argumento é que o mercado ainda está precificando o Nubank com base no histórico de fintech de crescimento, aplicando um desconto de incerteza que não condiz mais com os fundamentos atuais. Com ROE de 33%, carteira de crédito em expansão e modelo de IA validado em escala, o perfil de risco da empresa mudou.

Isso não significa que a tese é sem risco. O Nubank ainda está na fase de expansão de crédito, o que expõe a empresa ao ciclo econômico brasileiro — juros, inadimplência e câmbio são variáveis que afetam o resultado diretamente. E a competição com bancos tradicionais, que também estão acelerando suas operações digitais, tende a se intensificar.

O que a ascensão do Nubank revela sobre o mercado

A história do Nubank não é apenas sobre uma empresa. É um reflexo de uma transformação sistêmica no mercado financeiro brasileiro.

O Brasil tem uma das maiores concentrações bancárias do mundo. Por décadas, cinco bancos — Itaú, Bradesco, Santander, BB e Caixa — controlavam a maior parte do crédito, dos depósitos e da infraestrutura financeira do país. As tarifas eram altas, a experiência era burocrática e o acesso era restrito.

A entrada do Nubank — e de outras fintechs como Inter, PagBank e C6 — forçou uma modernização acelerada. Bancos tradicionais eliminaram tarifas de manutenção, aceleraram a digitalização de processos e reduziram fricção no atendimento. O Pix, lançado pelo Banco Central em 2020, foi em parte uma resposta regulatória à pressão exercida por esses novos entrantes.

O resultado, para o consumidor brasileiro, foi inequivocamente positivo: mais acesso, menos custo e mais opções. Para o investidor, o cenário é mais nuançado — a compressão de margens nos serviços básicos força todos os players a buscar receitas em produtos de maior valor agregado, como crédito, investimentos e seguros.

Uma indústria mais competitiva e mais eficiente

A ascensão do Nubank a segundo maior banco do Brasil valida uma tese que estava sendo construída há anos: que tecnologia, dados e experiência do usuário podem construir escala competitiva mesmo em setores altamente regulados e com barreiras de entrada históricas.

Isso tem implicações além do setor bancário. Outros setores com perfil similar — saúde, seguros, educação — já enfrentam ou enfrentarão processos de disrupção digital com dinâmica parecida: entrantes com custo operacional menor, experiência superior e crescimento acelerado pressionando incumbentes a se adaptar.

Para o investidor que acompanha o mercado brasileiro, o movimento do Nubank é um dado macroeconômico tanto quanto é corporativo. Ele indica que o Brasil tem capacidade de gerar empresas de tecnologia com escala e fundamentos sólidos — e que o mercado financeiro nacional está em transformação profunda e irreversível.


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