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Revolução da IA: Como Identificar as Próximas NVIDIA do Mercado Brasileiro

NVIDIA subiu 1.190% desde 2023. Descubra como identificar oportunidades de IA no mercado brasileiro com análise fundamentada

Escrito por Sidnei Oliveira

Revolução da IA: Como Identificar as Próximas NVIDIA do Mercado Brasileiro

Em janeiro de 2023, uma ação de NVIDIA valia cerca de US$ 14. No início de 2026, o mesmo papel supera US$ 180. Uma valorização de +1.190% em pouco mais de três anos. No quarto trimestre de 2025, a empresa reportou US$ 68,1 bilhões em receita, número que rivaliza com o PIB de países inteiros.

Esses dados não são curiosidades. São um sinal sobre o que acontece quando uma tecnologia deixa de ser promessa e se torna infraestrutura.

A questão relevante para o investidor disciplinado não é "quanto NVIDIA subiu". É: onde estão os ativos no Brasil que podem percorrer uma trajetória parecida?

O tamanho da oportunidade em números

O mercado global de inteligência artificial movimentou US$ 538 bilhões em 2026, com crescimento anual de 37,3% segundo projeções do setor. Para contextualizar: isso representa um mercado que dobra de tamanho aproximadamente a cada dois anos.

O Brasil não está à margem desse movimento. O gasto brasileiro em IA atingiu US$ 2,4 bilhões em 2026, crescimento de 30% em relação a 2024. Uma pesquisa com executivos brasileiros revelou que 78% das empresas estão expandindo investimentos em IA no período atual.

No plano federal, o governo lançou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial com comprometimento de R$ 23 bilhões até 2028. Parte como subsídio, parte como encomenda pública, parte como infraestrutura. Mas o efeito prático é o mesmo: criar demanda previsível e volume para empresas que estão posicionadas no setor.

Informação

Fontes: International Data Corporation (IDC), Gartner, McKinsey & Company. Os dados de gasto brasileiro em IA referem-se a investimento corporativo e governamental agregado, incluindo software, hardware e serviços.

Por que NVIDIA foi tão além do esperado

Entender o caso NVIDIA ajuda a calibrar o que procurar em empresas brasileiras.

A NVIDIA não era apenas uma empresa de chips. Era a empresa que construiu a infra. GPUs são o tijolos da IA: sem eles, modelos de linguagem, visão computacional e sistemas de recomendação não rodam em escala. Quando a demanda por IA explodiu, a demanda por GPUs explodiu junto. E como a NVIDIA tinha controle do ecossistema — hardware, software e ferramentas de desenvolvimento — a margem que capturou foi desproporcional.

A lição: as empresas que capturam valor desproporcionalmente em ciclos tecnológicos tendem a ser as que controlam a camada de infra ou os pontos de integração críticos, não necessariamente as que desenvolvem a aplicação final mais visível.

No contexto brasileiro, o equivalente não é uma empresa de chip. É uma empresa que controla o software de gestão que precisa ser atualizado, a plataforma financeira que precisa integrar IA, ou o provedor de infraestrutura de dados que sustenta as aplicações de cima.

Os ângulos de investimento no Brasil

TOTS3: controle da camada de gestão

A TOTVS é a maior empresa de software de gestão empresarial da América Latina, com presença em mais de 120.000 empresas brasileiras. Em 2025, a companhia comprometeu R$ 600 milhões em IA, e o resultado apareceu: lucro líquido cresceu 26% no ano.

O modelo de negócio da TOTVS é estruturalmente favorável ao ciclo de IA. Ela não precisa convencer as empresas a adotar software de gestão — elas já usam. Precisa convencer as mesmas empresas a atualizar seus sistemas para versões com IA integrada. O custo de troca é alto para o cliente, o que cria receita recorrente e previsível à medida que a adoção cresce.

TOTS3 opera na camada de gestão. Quem controla o ERP, controla onde os dados vivem. E dados são o insumo principal de qualquer aplicação de IA.

NVDA: ainda com espaço estrutural

Investidores brasileiros têm acesso a NVDA via BDRs (NVDC34) ou contas internacionais. A pergunta não é se NVIDIA já valorizou demais — essa é uma questão de timing, que qualquer analista honesto admitirá não saber responder com certeza. A questão estrutural é diferente: o papel do chip no ecossistema de IA permanece insubstituível no horizonte relevante.

Concorrentes como AMD e Intel avançaram, mas a vantagem do ecossistema CUDA — a plataforma de desenvolvimento que prende pesquisadores e empresas à arquitetura NVIDIA — é dificil de replicar em ciclos curtos. Isso não é uma garantia de desempenho. É uma variável que o investidor fundamentalista precisa pesar.

Nubank e infraestrutura financeira com IA

O Nubank (NU) é um caso diferente. Não é uma empresa de IA, mas é uma empresa que usa IA como vantagem competitiva em escala. Modelos de crédito, detecção de fraude, personalização de produto — cada um desses vetores impacta margem e retenção de cliente.

Com mais de 110 milhões de clientes na América Latina, o volume de dados que o Nubank processa é uma barreira competitiva real. Empresas financeiras tradicionais têm dados comparáveis em volume, mas raramente têm a capacidade de engenharia para extrair valor no mesmo ritmo.

Infraestrutura de dados e conectividade

Uma camada menos discutida, mas igualmente relevante, é a infraestrutura que sustenta tudo isso: data centers, conectividade de alta velocidade e serviços de nuvem. No Brasil, empresas como Oi Soluções, Locaweb e players regionais de colocation estão posicionados para capturar demanda derivada — não do produto de IA em si, mas da necessidade de processar e armazenar dados que crescem em velocidade exponencial.

Atenção

Investimento em ações de tecnologia envolve risco de mercado e de concentração setorial. Crescimento de setor não garante valorização de empresa específica. As menções acima são para fins educacionais e não constituem recomendação de investimento.

Como identificar empresas com potencial real

A pergunta mais útil que um investidor pode fazer ao analisar uma empresa "de IA" é: ela usa IA como argumento de marketing ou como alavanca de resultado?

O teste é direto. Procure resposta para três perguntas nas demonstrações financeiras e nas chamadas de resultado:

1. A margem está melhorando? Se a IA está sendo usada para eficiência operacional, isso deve aparecer na margem bruta ou operacional ao longo de dois a quatro trimestres. Discurso sem melhora de margem é sinal de que a tecnologia ainda é custo, não alavancagem.

2. A receita recorrente está crescendo? Empresas que embutem IA nos produtos existentes (como TOTVS fazendo seus clientes migrarem para versões mais novas) tendem a aumentar ARR (receita anual recorrente) sem necessidade de conquistar novos clientes. Isso é o indicador mais limpo de adoção real.

3. O management está alocando capital de forma consistente? Um commitment de R$ 600 milhões em IA, como o da TOTVS, é um sinal. A questão é se o plano está sendo executado — e isso se vê trimestre a trimestre, não em um press release.

O risco que a maioria ignora

Ciclos tecnológicos criam três tipos de empresas: as que definem a infra, as que constroem em cima da infra, e as que são substituídas pela infra.

No Brasil, o maior risco não é ficar de fora do setor de IA. É comprar empresas que parecem beneficiárias, mas que na verdade serão desintermediadas pelo ciclo. Setores como contabilidade manual, serviços de dados não estruturados e atendimento ao cliente tradicional estão sujeitos a compressão de margem à medida que ferramentas de IA reduzem o custo unitário dessas atividades.

Identificar corretamente qual lado da linha uma empresa está — beneficiária ou desintermediada — é o trabalho analítico central desse ciclo.

Informação

O PBIA (Plano Brasileiro de Inteligência Artificial) prevê R$ 23 bilhões em investimentos até 2028, com foco em pesquisa e desenvolvimento, capacitação e aplicações em setores prioritários como saúde, agronegócio e segurança pública. Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

A abordagem disciplinada

Na Royal Binary, a análise de oportunidades tecnológicas segue o mesmo método que Sidnei Oliveira aplica a qualquer tese de investimento: primeiro os dados, depois a narrativa.

O ciclo de IA é real. Os números de crescimento do setor, de comprometimento corporativo e de investimento governamental são verificáveis. O que não é automático é a tradução de crescimento setorial em retorno para o investidor — essa parte depende de saber em quais ativos o crescimento se converte em lucro, e em quais apenas em custo.

A diferença entre identificar NVIDIA em 2023 e comprar um papel de tecnologia qualquer é justamente essa: entender quem controla a infra, quem tem receita recorrente, e quem tem o custo de troca que impede os clientes de sair. São critérios anacrônicos à narrativa de "revolução", mas são os que determinam retorno.

Resultados passados não garantem retornos futuros. Os rendimentos são renda variável.

Dica

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