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Tarifas Seção 122: A Nova Arma Comercial de Trump

Após a Suprema Corte barrar as tarifas IEEPA, Trump pivotou para a Seção 122 do Trade Act de 1974. Tarifa global de 10% em vigor desde fevereiro. O que muda para o Brasil.

Escrito por Sidnei Oliveira

Tarifas Seção 122: A Nova Arma Comercial de Trump

Quando a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as tarifas IEEPA do "Liberation Day" em fevereiro de 2026, declarando o uso do IEEPA para política comercial como inconstitucional em votação de 6 a 3, o presidente Trump precisou de um novo instrumento legal. Ele o encontrou na Seção 122 do Trade Expansion Act de 1974 — um dispositivo criado no contexto do colapso de Bretton Woods, nunca antes usado para uma tarifa global.

Em 24 de fevereiro de 2026, a administração Trump implementou uma tarifa adicional global de 10% sobre todas as importações americanas, usando a Seção 122. Três semanas depois, o presidente anunciou que pretendia elevar a tarifa para 15%, embora essa mudança ainda estivesse sendo contestada nos tribunais no momento desta publicação.

O que é a Seção 122 do Trade Act de 1974

A Seção 122 autoriza o presidente a impor, por um período de até 150 dias (sem renovação congressual), uma tarifa de importação emergencial para corrigir um "sério desequilíbrio no balanço de pagamentos internacionais". O dispositivo foi criado em 1974, quando o dólar flutuante ainda era novidade e a preocupação com déficits no balanço de pagamentos era central para a política econômica americana.

Nenhum presidente havia usado a Seção 122 para uma tarifa global antes de 2026. Trump argumenta que o déficit comercial americano — que atingiu US$1,24 trilhão em 2025 — constitui o "sério desequilíbrio" que a lei foi criada para remediar.

O U.S. Court of International Trade começou a questionar a legalidade da tarifa em abril de 2026, perguntando especificamente se um déficit comercial crônico — parte integrante do funcionamento do sistema monetário internacional com o dólar como reserva — constitui o tipo de emergência que a lei pretendia cobrir.

O histórico das tarifas americanas em perspectiva

PeríodoTarifa média efetiva (importações)
1930 (Smoot-Hawley)~19,8%
1945 (pós-guerra)~9,1%
2000~1,6%
2024 (antes de Trump)~2,5%
2026 (com Seção 122)~10%+

As tarifas americanas em 2026, somando-se os vários regimes (Seção 122, Seção 232 para aço/alumínio/farmacêuticos, investigações Seção 301 em andamento), chegaram aos maiores níveis desde a Segunda Guerra Mundial. O CRFB (Committee for a Responsible Federal Budget) estima que a tarifa de 15% anunciada geraria receita adicional de cerca de US$300 bilhões por ano para o governo americano.

O paradoxo: o comércio global cresceu apesar das tarifas

Um dado contraintuitivo do período tarifário de Trump: mesmo com tarifas recordes, o comércio global continuou crescendo mais rápido que a economia mundial no período 2025-2026. Isso ocorre por algumas razões:

  1. Desvio de comércio: Importações que iam diretamente para os EUA passaram a ser roteadas por países terceiros, mas o volume não diminuiu significativamente
  2. Resiliência das cadeias de valor: Empresas absorveram parte do custo das tarifas para manter relacionamentos comerciais, comprimindo margens em vez de interromper fluxos
  3. Comércio digital e serviços: O comércio de serviços e produtos digitais — não sujeito às tarifas de mercadoria — acelerou. Comércio relacionado à IA cresceu de forma expressiva no período.

O impacto no Brasil: exportadores e importadores

Para o Brasil, as tarifas americanas têm efeito duplo e assimétrico.

Exportadores brasileiros para os EUA: O Brasil enfrenta a tarifa de 10% da Seção 122 sobre suas exportações para os EUA. Os setores mais afetados são calçados, têxteis, café industrializado e produtos de maior valor agregado. Commodities agrícolas como soja bruta e minério de ferro já eram menos sujeitas a tarifas americanas, então o impacto direto é mais limitado.

Beneficiários do desvio de comércio: O Brasil pode se beneficiar indiretamente das tarifas americanas sobre outros países. Se os EUA taxarem produtos manufaturados da China em 35-40% mas o Brasil tiver tarifa de 10%, os manufaturados brasileiros ficam relativamente mais competitivos no mercado americano. Setores como automóveis e máquinas agrícolas têm potencial de ganho.

Risco de desvio de comércio para o Brasil: Produtos chineses que antes iam para os EUA agora procuram outros mercados, incluindo o brasileiro. Isso cria concorrência adicional para a indústria doméstica, especialmente em manufaturados.

Vencedores e perdedores da nova ordem tarifária

Setor brasileiroImpacto
Agronegócio (commodities brutas)Neutro a positivo (pouca tarifa americana)
Calçados e têxteisNegativo (tarifa de 10% encarece exportação)
SiderurgiaMisto (aço na Seção 232, mas demanda americana alta)
Tecnologia agrícolaPotencial positivo (substitui manufaturas chinesas no mercado americano)
Indústria doméstica (vs. China)Negativo (desvio de comércio chinês para Brasil)

A batalha nos tribunais americanos

A administração Trump está ciente de que a Seção 122 tem limite temporal de 150 dias. Para contornar isso, a equipe comercial prepara investigações de Seção 301 — que permitem tarifas permanentes sobre países específicos com base em práticas comerciais "injustas". Essas investigações levariam de 6 a 12 meses para concluir.

O U.S. Court of International Trade e potencialmente a Suprema Corte terão a palavra final sobre a legalidade das tarifas da Seção 122. O precedente do IEEPA — onde a Suprema Corte derrubou a base legal das tarifas do Liberation Day — aumenta a incerteza sobre a durabilidade do regime atual.

O que isso muda para investidores

Câmbio: Tarifas americanas enfraquecem o dólar globalmente (o mundo compra menos dólares para pagar importações americanas), o que beneficia o real. Esse efeito contribuiu para a apreciação do real no primeiro trimestre de 2026.

Commodities: Se o crescimento global desacelerar por causa das tarifas, a demanda por commodities cai — pressionando preços de minério, petróleo e soja. O crescimento global continua em 2026, mas a incerteza é maior.

Ações exportadoras: Empresas brasileiras com receita significativa em dólares e exportações para os EUA precisam ser analisadas caso a caso para avaliar o impacto das tarifas.

Volatilidade como oportunidade: O ambiente tarifário cria oscilações de mercado nos dois sentidos — quedas quando novas tarifas são anunciadas, recuperações quando negociações avançam ou tribunais suspendem medidas.

A Royal Binary, fundada por Sidnei Oliveira, opera nesse tipo de volatilidade. Com análise de contexto macroeconômico e gestão de risco disciplinada, a plataforma existe para quem quer participar do mercado com estrutura profissional.

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