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Mercado

Temporada de Resultados 1T26: Vale, Gerdau e o Que Observar nas Empresas Brasileiras

A temporada de resultados do 1º trimestre de 2026 começa em abril. Veja o calendário, o que esperar das principais empresas e como usar os dados para investir melhor.

Escrito por Sidnei Oliveira

Temporada de Resultados 1T26: Vale, Gerdau e o Que Observar nas Empresas Brasileiras

A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) começou em 14 de abril, com a divulgação dos números da Romi (ROMI3), empresa de máquinas e equipamentos industriais. O mês de abril e o início de maio serão marcados pela publicação dos balanços das principais empresas listadas na B3 — e os próximos dias trazem nomes de peso no calendário.

Para investidores, a temporada de resultados é um dos momentos mais ricos para acompanhar o mercado: é quando a diferença entre narrativa e realidade se torna visível nos números.

O Calendário das Empresas Que Mais Importam

As datas mais aguardadas para o mercado brasileiro em abril de 2026:

DataEmpresaTickerSetor
14 de abrilRomiROMI3Máquinas industriais
27 de abrilGerdauGGBR4Siderurgia
28 de abrilValeVALE3Mineração
Semanas seguintesPetrobras, Itaú, Bradesco, AmbevVáriosDiversos

A Vale e a Gerdau são particularmente relevantes porque seus resultados funcionam como indicadores antecedentes para o setor de commodities e para a saúde da economia industrial global.

O Que Esperar da Vale (VALE3)

A Vale divulga seus resultados do 1T26 em 28 de abril. Os pontos centrais a monitorar:

Preço do minério de ferro: a China consome cerca de 70% da produção mundial de minério de ferro e a demanda chinesa no 1T26 foi influenciada pela política industrial do governo (aceleração de infraestrutura no início do ano) e pelo ritmo da construção civil. Preços do minério acima de US$ 100 por tonelada são positivos para a Vale; abaixo de US$ 90, as margens se comprimem.

Volume de produção: a Vale tem metas ambiciosas de produção para 2026, após anos de ajustes pós-Brumadinho. Qualquer variação nos volumes impacta diretamente a receita.

Dividendos e recompra: a política de retorno ao acionista da Vale é um ponto de atenção recorrente. O yield histórico da empresa é relevante, mas o mercado quer confirmar a sustentabilidade dos pagamentos.

O Que Esperar da Gerdau (GGBR4)

A Gerdau apresenta em 27 de abril. A empresa tem operações no Brasil e nos Estados Unidos — e essa diversificação geográfica é tanto uma proteção quanto uma variável adicional a ser monitorada.

Margens no Brasil: o setor de construção civil é o principal cliente da Gerdau no mercado doméstico. Com crédito imobiliário ainda caro e inadimplência elevada, a demanda interna pode estar mais fraca.

Operações nos EUA: a divisão americana da Gerdau atua em aço especial para o setor automotivo e de infraestrutura. O resultado aqui depende do ritmo de investimento em infraestrutura americano e da saúde do mercado automotivo.

Câmbio: como exportadora com operações em dólar, a Gerdau se beneficia do real mais depreciado em termos de receita consolidada.

O Contexto Global: S&P 500 e a Temporada Americana

A temporada de resultados americana do 1T26 está ocorrendo em paralelo, e os números são relevantes para calibrar o humor do mercado global.

O S&P 500 registrou crescimento de 45% nos lucros das empresas de tecnologia no 1T26 — uma expansão expressiva, impulsionada pela adoção acelerada de IA generativa e pelos custos de nuvem. As orientações positivas de lucro por ação (EPS guidance) para 2026 estão no maior nível desde o 3º trimestre de 2021.

Energia e tecnologia são os setores de destaque no contexto americano. No Brasil, os setores que devem apresentar melhor desempenho são:

  • Agronegócio e frigoríficos: beneficiados pelo câmbio e pela demanda chinesa por proteína animal
  • Exportadores de commodities: Vale, Petrobras, Suzano, Klabin — com receita em dólar e custos em real
  • Bancos: a margem financeira bruta deve seguir elevada com Selic em 14,75%, mas provisões para inadimplência são o ponto de atenção

O Que Monitorar Além dos Números

Resultados trimestrais não são apenas sobre os lucros reportados. Os investidores experientes prestam atenção a:

Guidance para os próximos trimestres: a projeção da empresa para o restante de 2026 muitas vezes é mais importante que o resultado passado. Uma empresa que bate o resultado do 1T26 mas reduz o guidance para o 2T26 pode ter reação negativa.

Endividamento e alavancagem: em ambiente de juros ainda altos, empresas com dívida excessiva em CDI ou com vencimentos concentrados em 2026 merecem atenção especial. A dívida líquida/EBITDA é o indicador central.

Geração de caixa vs. lucro contábil: empresas que reportam lucro mas consomem caixa operacional podem estar usando artifícios contábeis. O fluxo de caixa livre é mais difícil de manipular do que o lucro líquido.

Comentários do management: as chamadas de resultado (earnings calls) frequentemente revelam mais do que os números formais. A linguagem dos executivos sobre o ambiente macroeconômico, concorrência e perspectivas setoriais é informação qualitativa valiosa.

Como Usar a Temporada de Resultados

A temporada de resultados é uma oportunidade de revisitar a tese de cada empresa na carteira — não necessariamente de fazer mudanças abruptas com base num único trimestre.

Um bom resultado que confirma a tese deve dar confiança para manter a posição. Um resultado abaixo do esperado pede análise: foi algo estrutural (deterioração do modelo de negócios) ou conjuntural (trimestre atípico que deve se normalizar)?

O Ibovespa tem apresentado recordes históricos em 2026, em parte sustentado por expectativas positivas de resultado. Se os balanços do 1T26 desapontarem, pode haver espaço para realização — o que, para investidores de longo prazo, pode representar oportunidade de entrada em bons ativos a preços mais razoáveis.


Royal Binary é uma plataforma de investimentos coletivos. Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento. Consulte um assessor certificado antes de tomar decisões financeiras.